A oferta que vinha das carteiras mais antigas do bitcoin perdeu força. Dados on-chain repercutidos pela BitNotícias nesta quarta-feira (16) mostram que o indicador de mudança líquida de posição dos detentores de longo prazo (long-term holders) virou fortemente negativo em meados de agosto e agora voltou a se aproximar do zero. Em linguagem de mercado: o despejo grande aconteceu; a sequência de vendas pesadas, pelo menos neste recorte, esfriou.
O tamanho da distribuição chama atenção. Foram aproximadamente 260 mil BTC saindo dessas carteiras no auge do movimento, o pior nível registrado desde janeiro de 2025, segundo a compilação citada pela BitNotícias com base em métricas da Glassnode. Para comparação, durante a máxima histórica do fim de 2025, quando o bitcoin beirava US$ 122 mil, o mesmo grupo liquidou cerca de 170 mil BTC. Em agosto de 2026, com o ativo na faixa dos US$ 80 mil, a venda acumulada foi maior – e a preços substancialmente inferiores ao topo.
A leitura é desconfortável para quem assume que carteiras veteranas sempre operam com timing superior. Elas distribuíram mais moedas longe do pico. O padrão lembra, em traços gerais, fases de 2018 e 2022, quando saídas relevantes de longo prazo apareceram no meio da correção, e não apenas no topo absoluto.
Quem comprou a oferta
Quem absorveu parte dessas moedas? Cruzamentos citados pela BitNotícias com dados do CryptoQuant apontam para os detentores de curto prazo. Esse grupo passou meses com fatia relevante da oferta em prejuízo e, em agosto, viu a parcela em lucro saltar antes de voltar a estreitar com a nova queda de preço. Na publicação, o lucro agregado desse grupo havia recuado para cerca de US$ 168,2 bilhões, enquanto as perdas voltavam a US$ 102,6 bilhões – uma posição instável, no azul por pouco e num intervalo estreito de preço.
No gráfico diário descrito na mesma reportagem, o bitcoin havia rompido a linha de tendência de baixa vinda da máxima de janeiro e travado no início de setembro perto de US$ 82.613, nível alinhado à retração de Fibonacci de 0,618 da queda entre aproximadamente US$ 97.950 e US$ 57.802. Depois perdeu a retração de 0,5, em US$ 77.876. O suporte imediato monitorado fica em US$ 76.500; abaixo dele surge a faixa de US$ 73 mil a US$ 75 mil, alinhada ao nível de 0,382.
Na quarta-feira, com o bitcoin operando na região dos US$ 75 mil a US$ 76 mil, conforme cotações repercutidas pela Exame e pela própria BitNotícias, o mercado testa exatamente a zona em que compradores recentes podem sair do lucro. Segurar US$ 76,5 mil e retomar US$ 81 mil manteria a maior parte desse grupo no azul. Uma escorregada sustentada até US$ 73 mil colocaria a leva de agosto sob pressão novamente.
Confluência com a leitura da Glassnode
A narrativa de "vendedores antigos em pausa" encontra eco no relatório semanal da Glassnode "The Week On-chain" (semana 36 de 2026). Ali, a firma descreve um teto de resistência na faixa de US$ 83 mil a US$ 86 mil – onde se concentram custo médio de holders de longo prazo, mapa de liquidações e break-even aproximado do complexo de ETFs à vista – e destaca que a pressão vendedora na aproximação desse teto corre abaixo da metade do ritmo de agosto. Holders de longo prazo, na leitura da Glassnode, "estão sentando nesta perna".
O Sell-Side Risk Ratio, que mede lucro e prejuízo realizados frente à Realized Cap, havia caído a cerca de 7 pontos-base por dia na média de sete dias no recorte do relatório, menos da metade dos 16 pontos-base do pico de agosto. A mensagem combinada é coerente com o que a BitNotícias destaca agora: houve distribuição pesada; o fluxo de venda das carteiras antigas desacelerou; o teto acima ainda não foi absorvido.
O que isso muda para o leitor
Para o investidor brasileiro, o dado on-chain ajuda a separar barulho de preço e estrutura de oferta. Queda de cotação com holders antigos ainda despejando é um cenário; queda com essa oferta já esfriada é outro. No segundo caso, a volatilidade continua, mas a fonte estrutural de venda muda de mão – dos veteranos para compradores mais recentes, se o suporte falhar.
Nada disso é sinal de compra ou venda automática. Modelos de ciclo de quatro anos e espirais de preço, citados na cobertura especializada, dependem de premissas cada vez mais contestadas desde a entrada dos ETFs spot e do fluxo institucional contínuo. O que o conjunto de dados permite afirmar com mais segurança é factual: agosto concentrou uma das maiores distribuições recentes de longo prazo; setembro, até aqui, mostra essa pressão diminuindo enquanto o preço testa a região dos US$ 75 mil a US$ 76,5 mil.
Em resumo: as baleias antigas que despejaram cerca de 260 mil BTC reduziram o ritmo. O mercado agora decide se o suporte imediato segura os compradores de agosto ou se a correção força uma nova rodada de realização – desta vez, mais concentrada nas mãos que absorveram a oferta.











