O Nubank deu, em 10 de setembro de 2026, o passo mais explícito até agora para virar plataforma financeira global: no mesmo dia em que iniciou operação bancária nos Estados Unidos via parceiro, lançou o Nu Global, uma conta digital multimoeda cujo saldo do dia a dia roda em stablecoins. O anúncio saiu da sala de imprensa do Nu e foi repercutido por Folha, Estadão, Época Negócios e pela cobertura cripto especializada.
O que é o Nu Global
Segundo o comunicado oficial do Nu, depósitos na conta são convertidos em dólares digitais (USDC) ou euros digitais (EURC) – stablecoins pareadas ao dólar e ao euro. A companhia informa rendimento diário de 3,50% ao ano sobre o saldo em USDC e de 2,20% ao ano sobre EURC, com a nota de que a taxa é variável e pode mudar. A oferta vem com cartão virtual Mastercard para gasto internacional a câmbio competitivo, sem markup declarado pela empresa, e com envio e recebimento em mais de 35 países, começando por corredores da Europa e da América Latina.
O mesmo app permite manter e negociar uma seleção de ativos digitais, incluindo Bitcoin e Ethereum, ao lado do saldo operacional. Atendimento multilíngue 24 horas entra no pacote, conforme o press release.
A Folha enquadrou o Nu Global como rival direto de contas multimoeda no estilo Revolut. A diferença de narrativa do Nu é colocar stablecoins da Circle no centro da conta – não como feature opcional de corretora, e sim como representação do saldo em dólar e euro.
Brasil: ainda não é o botão dentro do app roxo
Ponto prático para o leitor brasileiro. A integração completa do Nu Global com os aplicativos do Nu no Brasil, México, Colômbia e Estados Unidos está "planejada para os próximos meses", escreveu a própria companhia. Folha e Coin360 reforçam que, por enquanto, clientes no Brasil seguem usando a conta internacional via parceria com a Wise. Quem espera abrir Nu Global com um toque no app brasileiro hoje precisa calibrar a expectativa: o produto já existe e aceita cadastro em nu.com em mercados liberados, mas a unificação com a base BR ainda não tem data definitiva no anúncio.
Isso separa duas frentes. De um lado, a conta global em stablecoin para quem já vive ou gasta entre países. De outro, a operação americana clássica: conta com rendimento de 3,50% a.a. em depósitos no Lead Bank (FDIC), cartão de crédito Mastercard sem anuidade e 1,5% de cashback, sob comando da co-fundadora Cristina Junqueira – modelo de banco parceiro enquanto o Nu persegue charter nacional junto ao OCC (pedido em setembro de 2025, aprovação condicional em janeiro de 2026), conforme o release e a Reuters.
Por que importa no ecossistema cripto
O Nu Global não nasce no vácuo. O Nu já opera cripto no Brasil (NuCrypto) e, segundo reportagens setoriais, já tinha experimentado USDC em produtos locais. O salto de setembro é de escala e de posicionamento: stablecoin como trilho de remessa e de saldo cotidiano de um banco digital com mais de 140 milhões de clientes na América Latina, número citado no próprio comunicado.
Para o mercado brasileiro de PSAVs e cartões em stablecoin, o sinal é ambíguo e forte ao mesmo tempo. Amíguo porque a liberação plena no app BR ainda não veio. Forte porque valida, na mensagem de um banco listado na NYSE, a tese de que USDC/EURC podem ser a "moeda de interface" de contas globais – concorrendo, na prática, com fintechs de cartão cripto e contas em dólar digital que disputam o mesmo usuário.
Em resumo: o Nu Global transforma depósito em USDC ou EURC, promete rendimento diário, cartão virtual e remessas em mais de 35 países, segundo o Nu e a imprensa de 10/09. No Brasil, a ponte nativa no aplicativo ainda é futura; até lá, a Wise continua sendo o caminho internacional do cliente local.











